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Venezuela aqui!

  • Foto do escritor: Portal Contexto
    Portal Contexto
  • 29 de jul. de 2019
  • 4 min de leitura

Sergipe abriga refugiados e os sonhos de uma nova vida


Chegada dos refugiados em Sergipe (Foto: Ascom da Arquidiocese de Sergipe)

Ninguém deixa sua família, amigos, casa, emprego, país, sonhos por um capricho ou um desejo qualquer. Guerras, fome, desemprego, perseguições de toda ordem, falta de liberdade e, principalmente de perspectivas obrigam milhões de pessoas a imigrar para terras distantes e pedir refúgio. No mundo, a Organização das Nações Unidas estima que cerca de 65,6 milhões de pessoas foram forçadas a sair de casa. Entre elas, estão quase 22,5 milhões de refugiados, mais da metade são menores de 18 anos.

No Brasil, também chegam refugiados. Dados do Comitê Nacional para Refugiados revelam que até o final de 2017 viviam no país 10.145 refugiados. Para Sergipe, vieram 15 imigrantes que tiveram seus pedidos de refúgio oficialmente concedidos pelo Governo Federal. Um grupo de 35 refugiados venezuelanos chegou em Sergipe em janeiro deste ano e foram acolhidos pela igreja Católica. Deles, 25 estão em Aracaju e dez moram em Nossa Senhora da Glória.


Uma mãe lutando por seus filhos


Leidy del Carmen Navarro Ponce, 39 anos, refugiada, venezuelana. Apenas mais uma dos inúmeros imigrantes que tentam buscar melhores condições de vida longe do seu país. Desde que nasceu, morava em sua terra natal.


Trabalhava como segurança industrial e tinha casa própria. Lá, morava com seu marido e três filhos. Com a crise econômica enfrentada na Venezuela, o emprego fixo se tornou algo distante. Cada vez mais tornou-se difícil arcar com as despesas básicas de sua família. “O dinheiro já não dava para comprar comida, remédios, foi então que decidi sair para trabalhar no Brasil e deixar meus filhos na Venezuela” conta Leidy.


Leyde del Carmen Navarro e sua filha mais nova

A sua primeira parada no Brasil foi na cidade de Boa Vista, em Roraima, onde ficou hospedada na casa de conhecidos. “A partir do segundo mês, tive que começar a trabalhar para pagar as despesas. Todos os dias do trabalho para casa, de casa para o trabalho”, recorda a venezuelana. Leidy lembra que dividiu um pequeno quarto com oito pessoas, onde dormiam em colchões no chão.


Faltavam panelas e todos cozinhavam em latas de azeite improvisadas. Após trabalhar duro em Boa Vista e se estabilizar um pouco, ela retornou a seu país para buscar seus dois filhos mais novos, que estavam sem estudar e enfrentavam situações difíceis.


Um dos seus momentos mais tristes, ela conta com os olhos marejados e a voz embargada: foi chegar em sua casa na Venezuela e não ser reconhecida pelo seu filho. “Quando o vi, a impressão foi horrível. Ele estava muito fraco, fraco... eu estava em sua frente, mas ele não me reconhecia”, chora Leidy.


Ao voltar ao Brasil, enfrentou dificuldades para conseguir novamente trabalho e afirma que se sentia menosprezada pelas pessoas por ser uma imigrante, por isso, disse que tinha um grande desejo em ir para outro estado. Com o apoio da Arquidiocese de Aracaju, ela, os filhos e outros venezuelanos chegaram a Sergipe.


Atualmente, Leidy mora em uma casa cedida pela Arquidiocese onde não precisa pagar aluguel. Com o dinheiro que recebe como diarista, consegue pagar as suas dívidas e ajudar o resto de seus familiares que se encontram na Venezuela. Seus dois filhos estão matriculados e estudando em escolas públicas. Um dos seus sonhos é poder retornar para sua casa. “Pretendo voltar para Venezuela, não agora, pois a situação lá está muito difícil, mas lá está minha casa, minha família, quero voltar”, disse.


Enfrentando o preconceito de ser refugiado


“Fomos tratados e vistos como lixo”. É assim que Ramon Bucarito, venezuelano que mora atualmente em Aracaju com sua esposa Reinieris Nuñes Oriana e sua filha, conta como foram os meses em Boa Vista.


Na Venezuela, ele tinha casa própria, trabalhava com eletrônica e possuía um lote de terra. Reinieris cursava contabilidade, mas a forte crise econômica impediu a continuidade dos seus estudos. Pior, já não tinham condições de suprir as necessidades básicas de sobrevivência. Logo, a opção foi sair do seu país em busca de melhores condições no Brasil.


Ramon e a sua família ficaram três meses em Boa Vista. Lá, moravam em uma praça e enfrentavam os piores dias de sua vida. “Foram três meses de um sofrimento terrível, onde enfrentamos sede, fome, chuva nessa praça onde estávamos”, lembra Ramon. Ele conta que os moradores da cidade veem os refugiados com maus olhos e como pessoas que vieram para atrapalhar.


Hoje, Ramon mora em Aracaju com sua família, afirma que foi bem acolhido, e com a ajuda da igreja, conseguiu moradia, um emprego para arcar com suas despesas e uma vaga em uma escola para sua filha. Sobre sonhos, ele não pensa duas vezes: “tenho um sentimento dentro de mim muito grande em voltar para minha casa, para Venezuela”. Já a esposa dele espera voltar a estudar para concluir o seu curso e arranjar um emprego.


Crise na Venezuela


No Brasil, o maior fluxo migratório é de venezuelanos. A grande maioria entra por Roraima, que faz fronteira com a Venezuela. Lá, o país é governado pelo presidente Nicolás Maduro e enfrenta uma grave crise política, econômica e humanitária. Também é alvo de embargos dos Estados Unidos e seus aliados.


Essa situação produz uma situação de fome, desemprego e miséria. A grande falta de emprego, de recursos básicos para sobrevivência e de perspectiva de melhora, acaba levando uma grande evasão de venezuelanos para o Brasil e para outros países. No Brasil, a primeira parada é a cidade de Pacaraima, que faz fronteira terrestre com a Venezuela.


Segundo dados do Governo Brasileiro, das 33.866 pessoas que solicitaram o reconhecimento da condição de refugiado no Brasil, mais da metade (17.865) são venezuelanos.

 

Produção da disciplina Laboratório de Jornalismo Integrado I - 2019.1

Repórter - Francielle Oliveira

Orientação - Professores: Josenildo Guerra, Cristian Góis e Eduardo Leite

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Agnaldo Rezende - entrevistaJoyce e Katiane
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