top of page

Sementes crioulas são pauta do movimento quilombola de Sergipe

Foto do escritor: Portal ContextoPortal Contexto

Atualizado: 29 de mai. de 2019

Dois séculos depois de 1888, data oficial da libertação dos escravizados no Brasil, os quilombos brasileiros ainda mantém uma tradição viva e central dentro das estruturas agrícolas do país, a semente crioula. Mailson Acacio dos Santos, representante quilombola da Comissão Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (CA), afirmou que existe um movimento de reinserção das sementes crioulas nos quilombos. “Uma das pautas do movimento quilombola de Sergipe é a reincidência das sementes crioulas, porque isso vai beneficiar cada vez mais as comunidades, dando a emancipação para que elas tenham potência e especificidade.”

Semente de feijão crioula na Unidade de Produção Camponesa em Canindé de São Francisco (foto: Mariane Góis)

Atualmente, a semente é símbolo de não apenas resistência do movimento quilombola, mas também de alternativa à monocultura do milho transgênico, responsável por 70% do milho produzido em Sergipe. “Vemos a semente crioula como a semente da resistência, uma semente que é passada de geração em geração”, explica Santos. “O pacote do Estado para o camponês é de semente transgênica, então lutar contra esse pacote está sendo muito árduo para nós”.

De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Sergipe existem 3 territórios reconhecidos como quilombos. Esses locais eram refúgio de africanos e afrodescendentes. Essas sociedades eram estruturadas com economia, cultura, agricultura e religião próprias, que representavam uma busca desse povo a um resgate da vida na África e de sua origem.


Dessa forma as sementes crioulas estão ligadas justamente a isto, comunidades tradicionais, sejam elas quilombos, assentamentos de reforma agrária ou indígenas. Essas variedades são de polinização aberta, ou seja, são polinizadas de forma natural, através de ventos, além de não serem geneticamente modificadas, nem receberem doses de agrotóxicos. No entanto, o conceito é fundado na ancestralidade, pois essas sementes são passadas de geração e geração dentro dessas comunidades.

Momento de troca de sementes crioulas em Unidade de Produção Camponesa em Canindé de São Francisco (foto: Mariane Góis)

A palavra “crioula” tem origem africana, é uma língua natural do Cabo Verde, país localizado na África Ocidental. A tecnóloga em agroecologia, Kauane Batista, explica a relação entre as sementes crioulas, a resistência negra e os quilombos “Eles guardavam a semente para plantar nos quilombos, para quando fugissem pudessem ter seu próprio alimento, na senzala eles eram sujeitos a comer farinha e água, por isso, a semente crioula significa resistência”.


Ela afirma ainda que o crioulo vem de criação da sua raiz e da sua permanência, ela dá o exemplo do dendê. “O dendê é o que? É uma uma semente que ela é crioula, foi o negro que trouxe nos navios negreiros, como também o quiabo, então tudo isso significa resistência do negro em outro país, ele tinha que trazer e cultivar a subsistência dele”, contou Kauane.


 

Produção da disciplina Laboratório de Jornalismo Integrado I - 2019.1

Repórter - Rafaelle Silva

Orientação - Professores: Josenildo Guerra, Cristian Góis e Eduardo Leite

Comments


Agnaldo Rezende - entrevistaJoyce e Katiane
00:00 / 01:33

2020. Todos os direitos reservados. Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe

Design_sem_nome-removebg-preview_edited_edited.png
ufs_monograma_positivo.png
Design_sem_nome-removebg-preview_edited.png
3.png
Design_sem_nome__2_-removebg-preview_edited.png

Departamento de Comunicação Social (DCOS)

Avenida Marechal Rondon Jardim s/n - Rosa Elze, São Cristóvão - SE, 49100-000

  • Instagram
  • Facebook
  • Design_sem_nome-removebg-preview (1)
  • Youtube
  • Design_sem_nome__1_-removebg-preview
bottom of page