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Enchentes mudam rotina de moradores do bairro Novo Paraíso

  • Foto do escritor: Portal Contexto
    Portal Contexto
  • 15 de jul. de 2019
  • 3 min de leitura

Problema permanece há mais de 30 anos e não há mudanças positivas

O canal transborda e gera problemas para os habitantes do bairro (foto: Pedro Nascimento)

Mais um alagamento aconteceu, na última semana, na margem direita do canal da rua

Tenente Durval Chaves, no bairro Novo Paraíso. As chuvas intensas ocorridas na

capital fizeram o canal transbordar, a água suja alagar as ruas adjacentes e causou

diversos transtornos aos moradores da região. O problema se arrasta há mais de trinta

anos e, segundo os moradores mais antigos, a água chega a subir mais de um metro,

invadindo as residências e causando prejuízos materiais e à saúde.


Ana Paula Ramos, 35, mora na região há 15 anos e conta que quando chove a situação é

sempre a mesma: caos, perdas e muita preocupação. "Aqui ninguém dorme quando está

chovendo. A gente [família] tinha saído, alugou um canto, porque não aguentava mais

perder as coisas, só que retornei devido ao aluguel caro e desde então já troquei os

móveis umas quatro, cinco vezes", relatou a moradora.


Ela reclama do descaso do poder público com relação aos habitantes do Novo Paraíso. "A gente perde os móveis, perde nossas coisas e não tem ajuda de ninguém para nada. Fica aquela água, lama, dentro de casa e ninguém se preocupa em saber se tem problema de saúde, higiene, além de ficar com o psicológico abalado. A gente queria que alguém fizesse alguma coisa pelo nosso bairro", desabafa Ana.

Ana Paula tenta se proteger das enchentes como pode (foto: Pedro Nascimento)

Para amenizar os impactos das enchentes, Ana Paula precisa fazer uma barreira com

madeira, bolsa plástica e tecidos ao redor do primeiro portão que dá acesso à sua casa.

Além disso, na varanda ela construiu um batente de blocos para tentar impedir que a

água invada sua residência e cause mais prejuízos, mas, mesmo assim, a água consegue

entrar de outras maneiras.


"Coloco toalhas e lençóis nos cantos das paredes, porque mina e isso ajuda a molhar os

móveis; e, às vezes, o nível da água quando sobe é tão alto que arrebenta o rejunte de

dentro de casa e começa a infiltrar água pelo piso. Eu procuro me proteger subindo

minhas coisas, coloco na cadeira, no banco, vou fazendo assim, mas quando a água

invade, têm coisas que não dá para salvar", relata a dona de casa, que vive no local com o marido e seus dois filhos.

Em épocas de chuvas, sair de casa para trabalhar é um desafio para Reginaldo (foto: Pedro Nascimento)

Para aqueles que precisam sair, estudar ou trabalhar, a situação se torna ainda mais

complicada, pois o nível da água é alto ao ponto que impossibilita os moradores de saírem de suas residências a pé ou de carro, como é o caso de Reginaldo Barbalho, 50, que é motorista de aplicativo. Além do receio de ter o carro inundado, ele não consegue sair de casa para trabalhar.


"Na chuva de 2013, eu perdi meu carro. Mesmo com a garagem alta, o carro encheu de

água e eu fiquei três meses sem carro. Quando enche [a rua], eu não deixo ele mais aqui,

já retiro [de casa]. A gente se sente um pouco rejeitado pelo governo por não dar

nenhum apoio com relação a esse problema", conta Reginaldo, que vive no bairro há 25

anos.


Para Ana Paula, vivenciar toda essa situação é um sentimento de tristeza e impotência,

principalmente por saber que a cada nova enchente se vai a possibilidade de viver uma

vida segura e tranquila na localidade. "O sentimento é de tristeza, da gente não poder

fazer nada. É um sentimento de que você se sente incapaz, porque você não pode

resolver um problema que tanto lhe faz mal. Uma coisa que lhe prejudica tanto e você

não pode fazer nada para poder melhorar", lamenta.


Os canais do Novo Paraíso 


De acordo com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), que presta

serviços de limpeza em Aracaju, o canal do Novo Paraíso, localizado na Zona Oeste,

recebe águas dos bairros América e Siqueira Campos e que com a chuva forte em um

curto espaço de tempo, o canal enche rapidamente e transborda.


A empresa disse que uma das causas que contribui para que isso aconteça é o descarte irregular de lixo e ressaltou que ações vêm sendo feitas com o objetivo de sanar esses problemas no Novo Paraíso e em outros bairros da capital. "Aracaju, atualmente, tem poucos canais que transbordam. Desde 2017, por meio de um cronograma planejado, teve início o serviço de limpeza preventiva dos canais. A cada três [meses] e, a depender da necessidade, até antes, as equipes realizam a limpeza, seja pelos métodos manual, mecanizado ou barragem".


Nossa equipe tentou entrar em contato com a Empresa Municipal de Obras e

Urbanização (Emurb), que presta serviços de drenagem em Aracaju, mas não fomos

atendidos.


 

Produção da disciplina Laboratório de Jornalismo Integrado I - 2019.1

Repórter - Pedro Nascimento

Fotos - Pedro Nascimento

Orientação - Professores: Josenildo Guerra, Cristian Góis e Eduardo Leite

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Agnaldo Rezende - entrevistaJoyce e Katiane
00:00 / 01:33

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